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14/02/2011 - 07h22

Título de Cidadã Ludovicense

Título de Cidadã Ludovicense (discurso pronunciado por Helena, na Câmara de Vereadores de São Luís), em 14. 02. 2011.

Quando cheguei à Assembleia, de vez em quando, eu errava: chamava os deputados de vereadores. Agora, estou com medo de trocar: chamar os vereadores de deputados. Um e outro, na minha compreensão, têm a mesma importância, significância e relevância. O X da questão é o Parlamento que se tem, é ser parlamentar.

Com isto, saúdo a Mesa na pessoa do seu presidente, o sempre colega Isaías Pereirinha, presidente desta Casa. Mas, saúdo, também, o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, o deputado – sempre colega – Arnaldo Melo. Saúdo o 1º Secretário Vieira Lima, vereador. Saúdo o 2º Secretário, vereador Sebastião Albuquerque. Sebastião Albuquerque é daqueles vereadores que não deixam de ser o doutor, doutor Sebastião Albuquerque, pelo que é, ao longo do tempo, ao longo da vida, ao longo de sua história, colocando a Medicina no lugar de sempre e eu tenho certeza de que é o centro de sua vida, por excelência. Saúdo Josué Pinheiro, o doutor Fernando Lima, José Joaquim – amigo, companheiro, não apenas aqui nesta Casa – e Ivaldo Rodrigues Filho.

Quero saudar todos e todas e a minha tentação é fazer uma saudação individual, mas o tempo não vai dar. Não sei se é o tempo que não vai dar ou porque tenho medo de errar, ou de esquecer alguém. Mas o sentimento é este. Portanto, saúdo as autoridades aqui presentes, todas. Saúdo os amigos e as amigas, todos e todas, as suas diversas categorias na representatividade de cada um.

Saúdo, também, e não podia deixar de saudá-lo, o sempre vereador, já esteve aqui e vai continuar sendo, o companheiro vereador Geraldo Castro, o professor, faço questão de assinalar. Saúdo o também médico e vereador Chico Viana, vereador e médico e o grande comunicador que é, que atinge as diversas esferas de nossa São Luís, chegando, muitas vezes, mais longe, até.

Quero saudar os companheiros da Imprensa, os que fazem a cobertura permanente dos trabalhos desta Casa, mas os que vieram até aqui, hoje, que não estão aqui, no dia a dia, porque estão na Assembleia, mas, sobretudo, os que resolveram vir testemunhar esta solenidade.

Não posso deixar de saudar aqueles e aquelas que, no dia a dia, estiveram comigo, não apenas há 10 anos, enquanto estava na Assembleia Legislativa. Muitas e muitos estiveram comigo até antes, estavam desde a Câmara de Vereadores. Aquelas e aqueles que integraram a Assessoria de Helena e que fizeram dos mandatos de Helena ponto de ligação entre os movimentos sociais, a sociedade civil, o cidadão e a cidadã e o Gabinete e o mandato e a própria Assembleia Legislativa.

Praticamente, quase todos e todas estão aqui. Saúdo Tatiana, responsável, desde a Câmara de Vereadores, com a sua filmadora, permanentemente, registrando para a história e para o tempo... Não sei o que vou fazer de todo este acervo, presidente Pereirinha e presidente Arnaldo. É a história, não é por esnobação, mas são registros históricos. O que é que se discutiu na Câmara de Vereadores, o que é que se discutiu, na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão?

E quero saudar a família, aqui representada por Heluy, José Antônio, Júnior, Jacqueline, representando os cinco filhos. Eles vão já se zangar, mas eu vou dizer que as que não vieram é porque estão trabalhando, estão no interior, o trabalho é fora daqui, não é porque os outros não trabalham, não. Saúdo o Thiago e o Lucas que estão representando a categoria dos netos, dois netos dentre os 15. Isto constitui uma riqueza profunda para todos nós, constitui para mim, sobretudo. Quero fazer só um reparo à vereadora Rose: dia de 6ª feira é o “cachorro quente”, só o “cachorro quente”, o almoço é no sábado.

Registro, também,como saudação,a presença do vereador Astro de Ogun. Saúdo, ainda, encerrando estes cumprimentos, que não são apenas formais, mas extremamente afetivos, os funcionários desta Casa na pessoa de “seu” Coló, que encontrei aqui, desde a primeira hora quando cheguei e sempre do mesmo jeito, impecável, e o branco mais branco é o de seu traje oficial de nos servir, com todo respeito e muita atenção. Saúdo todos, de todos os níveis, os que fazem todos os trabalhos daqui.

Saúdo a vereadora Rose por sua história, por seu compromisso. Saúdo-a pelo seu Partido, pelo significado político desta sua iniciativa porque afetividade, também, é política. Nós podemos ser políticos afetivos, respeitosos, e nós podemos ser políticos entendendo que política há, um dia, que ser, necessariamente, ciência ou arte, José Joaquim, que possa aproximar as pessoas para tornar o mundo melhor e não para destruir tanto, quebrar, fazer rupturas. Eu entendo política nessa dimensão, aprendi não sei com quem, não sei.

E, para começar, eu não queria escrever nada, digitar nada. Eu queria, até por sugestão de Cecília, que eu falasse, fosse falando... Mas algumas coisas a gente precisa, pelo menos, tentar craniar.

Por isso, o início oficial desta fala é para agradecer esta honrosa e emocionante homenagem, homenagem que recebo da Casa de Simão Estácio da Silveira, uma iniciativa da ilustre vereadora Rose Sales, do PCdoB. Este agradecimento e registro, Rose, eu quero que seja extensivo ao seu Partido e é por isso que eu o reverencio na sua pessoa e na de Geraldo Castro, pela sua história, pelas lutas e pelo que se espera, dando continuidade, também, a uma trajetória.

E estamos aqui recebendo esta homenagem da Casa de Simão Estácio da Silveira. Eu gosto sempre - e vou logo pedir desculpas à professora Regina, historiadora - eu gosto sempre de História, eu gosto de saber quem é quem, não é querendo escarafunchar pedigrees, não. É só para saber de onde vem, procuro saber para que se entenda o que é que está acontecendo ou o que é que aconteceu, em determinado tempo e o que isto tem a ver com todos nós. E, aí, eu sempre pergunto: será que todos nós sabemos quem é Simão Estácio da Silveira? Quem é esse homem? Mas, quem é Simão Estácio da Silveira? Quem é esse homem para ser, permanentemente, reverenciado e festejado por quantos fazem, ao longo do tempo, desta Casa Política a Casa do Povo?

SIMÃO ESTÁCIO DA SILVEIRA, açoriano, foi o fundador e primeiro presidente do Senado da Câmara de São Luís, segundo registros históricos proclamados, em boa hora, pelo emérito professor Mário Martins Meireles. Tais registros assinalam que a comunicação desse fato à Coroa de Portugal, tão importante para a história política de São Luís e do Maranhão, deu-se em 9 de dezembro de 1619. Peço a José Joaquim que me corrija. Ele é o guardião da história desta Casa, deste Parlamento.

É preciso, pois, que permaneça no sentimento e na lembrança de todos que houve, um dia, bem distante, em que foi pensada e institucionalizada a organização política desta terra, desta terra tão bonita, que deve ter exercido o mesmo fascínio que exerceu sobre mim, também, sobre SIMÃO ESTÁCIO DA SILVEIRA. Quando vejo tanta destruição em São Luís, tanta destruição, eu fico imaginando aqueles que aqui chegaram há mais tempo... Como foram felizes e se deliciaram em contemplar e sentir esta terra, na sua pujança, sobretudo na sua natureza, naquilo que ela nos oferece, gratuitamente. SIMÃO ESTÁCIO DA SILVEIRA, técnico agrícola, comerciante, navegador, técnico de mineração, professor e escritor, autor do livro RELAÇÃO SUMÁRIA DAS COUSAS DO MARANHÃO, como bem a ele se referiu o desembargador/historiador Milson Coutinho, em dezembro de 1998, ao receber a medalha que leva o nome do fundador desta Câmara Legislativa, RELAÇÃO SUMÁRIA DAS COUSAS DO MARANHÃO. Era um homem de tríplice, ou até muito mais, dimensões e com esta preocupação com a organização política do Maranhão, a partir de São Luís.

No passado, os que compuseram o Senado da Câmara de São Luís foram escolhidos, como dizem os historiadores, entre eles Carlos Lima, entre os homens de bem. Foram escolhidos para integrar o Senado da Câmara de São Luís “homens de bem”. Deixando de lado a expressão, no que diz respeito à discriminação de gênero, que ainda permanece, mas procurando ir a fundo em seu sentimento, tem-se que era preocupação, naquela época, que o presidente, os 3 vereadores e o procurador que formavam aquela Corte fossem escolhidos entre os melhores da terra, fossem escolhidos entre os melhores da terra - repito. O que seria, naquela época, ser um dos melhores da terra? O que seria, na compreensão daquele tempo? Vamos refletir e deixo a critério dos senhores e das senhoras.

Tive o privilégio de compor a Câmara de Vereadores de São Luís, efetivamente, vereadora Rose, um privilégio muito grande. Há poucos dias, eu fui entrevistada e queriam saber quais as muitas emoções que tive no Parlamento, tanto na Assembleia como na Câmara de Vereadores. Fui clara porque era emoção mesmo: foi quando foi anunciado, no amanhecer de um dia do mês de outubro de 1996, que eu havia sido eleita vereadora de São Luís. Foi uma emoção extraordinária mesmo ser vereadora da Capital de meu Estado. Eu que vim de lá de Barão de Grajaú, tinha medo de gente como quê. Cheguei aqui aos 5 anos e eu me apavorava e saía chorando pelas ruas, com medo de gente. Era um impacto muito grande: descer o rio Parnaíba até Teresina, pegar o trem de Teresina para São Luís, chegar numa madrugada e, para não fugir à regra, atrasou, também, nesse dia em que chegávamos.

O impacto da cidade grande. E eu não queria vir, não. Só aceitei esta conversa de meu pai ser deputado porque ele me prometeu me dar um velocípede. Foi por isso que eu admiti esta aventura imensa e extrema de vir morar, vir passar as temporadas aqui. Depois, a gente conta mais algumas coisas, se houver tempo...

Então, eu quero dizer que é um privilégio muito grande ser vereadora, ter a responsabilidade de escrever leis para arrumar a convivência da gente ou tornar melhor a convivência da gente de São Luís do Maranhão. E mais privilégio, ainda, eu posso assinalar, nessa retrospectiva, o de ser vereadora de São Luís em sua última Legislatura do Século XX e daquele milênio que findava, em termos de registros históricos. Eu saí da Câmara de Vereadores, adentrando o século XXI e para adentrar a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão. Talvez, se eu não houvesse ficado como 1ª suplente de deputada em 98, eu não teria tido, em plenitude, a possibilidade, claro, de exercer o mandato de vereadora na sua totalidade. Cumpri o mandato para o qual fui eleita e fui guindada ao mandato de deputada estadual para substituir o então deputado e companheiro Jomar Fernandes, eleito, naquele momento, prefeito de Imperatriz. Então, não só eu entrava no século XXI como entrava na Assembleia Legislativa com as responsabilidades e com as reflexões do que significava a história do Brasil, do Maranhão e da própria cidade de São Luís, naquele tempo.

Que avaliação era feita sobre a classe política, naquele momento, final do século XX, de tantas transformações, de tantas mudanças, um século marcado por duas fortes ditaduras. O que é que significava e o que é que a população esperava dessa classe política a qual eu integrava?

Eu tive, também, o privilégio de viver o último encontro oficial daqueles vereadores,em 28 de dezembro de 2000, no Auditório da FIEMA, oportunidade da solene entrega da Medalha Simão Estácio da Silveira. A entrega das medalhas é um momento muito rico para a Câmara de Vereadores, solenidade que faz, no mesmo dia, àqueles que homenageia a cada ano. E eu deveria, naquela homenagem, por outorga recebida, saudá-los em nome desta Casa. Circunstâncias históricas graves e difíceis me impediram, ou me proibiram, de fazê-lo. Nós estamos fazendo história, não se pode passar por cima desse fato. Parte do que deveria dizer, ali, faço-o, contudo, hoje, 10 anos depois, adequando-a ao instante atual. Era um momento de passagem, era como que, até mesmo, um rito de passagem o que nós fizemos ali.

Hoje, e já em 2000, vivemos ou deveríamos viver, segundo a Constituição Federal vigente, em uma República Federativa, que tem por fundamentos... E quando eu digo isto eu digo que é preciso nós martelarmos (a palavra é esta), permanentemente, para que todos entendam o que é a proposta da Constituição Federal brasileira. Os fundamentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político. E que diz bem alto que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. É a Constituição que assim o diz. Não é o PCdoB, não é o PT, não é qualquer partido ultrarrevolucionário, é a Constituição cidadã que nos desafia a fazer acontecer isto. E eu não podia deixar de lembrar isto, neste momento solene e de emoções.

E mais. Essa mesma Lei afirma que constituem objetivos fundamentais desta República: construir uma sociedade livre - doutora Beatriz, é a Constituição que quer isto - justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. É este o desafio que nós temos, deputado Arnaldo Melo. É para isto que nós somos deputados e deputadas, vereadores e vereadoras, senadores, prefeitos, governadores e governadoras e presidente ou presidenta da República. É isto, é a ordem que nós recebemos. Nós recebemos esta ordem, deputada Eliziane, deputado Zé Carlos, cujas presenças me honram bastante.

Eu me disciplinei ao máximo, ao digitar estas linhas, para não fugir aos limites que são - e devem sempre ser - impostos pelo Cerimonial, para momentos tais. Não vou trazer números para confrontar a realidade brasileira, maranhense e de São Luís com o ideal jurídico esboçado na Constituição de 1988 e nem dar nomes aos responsáveis pelas diferenças existentes, pelos desrespeitos, pelas agressões e aviltamentos tantos. Não vou enveredar por aí.

Mas nada me impede que, num momento de festas, de confraternização e, até, de euforia, possa fazer um convite a uma reflexão maior, com as responsabilidades que temos enquanto classe política e enquanto cidadãos e cidadãs e, como tenho dito, em muitas de minhas falas, aqueles e aquelas que integram um parlamento hão, necessariamente, de ser sempre educadores e educadoras de massa. Os parlamentares, deputados, vereadores, vereadoras, hão, necessariamente, de ter esta preocupação. Podem até não conseguirem tanto, mas que se preocupem em serem educadores e educadoras de massa. E isto no sentido pleno e etimológico da palavra educador, Eu disse isso (não é novidade nenhuma) quando cheguei aqui, em 1997, em meu primeiro pronunciamento. Precisamos ser educadores no sentido pleno da palavra educador: o condutor, o que arrasta, o que apresenta pistas, o que anima, o que abre caminhos, numa perspectiva transformadora. E vereador, etimologicamente, ainda, é o que abre e aplaina as veredas, as veredas, os caminhos na cidade, no município. Não há nenhum sentido em um mandato popular se não for com essa prática, numa interrelação sociedade, movimentos, cidadão do povo e agentes políticos. E muitos fazem isso. Muitos estão tentando fazer isto. É por aí, é este o caminho, é esta a vereda desafio para todos nós.

É fundamental refletirmos sobre o momento atual. Nós tivemos muitas vitórias nesta década passada, 2001 a 2010, muitas conquistas. A classe trabalhadora - Rodrigo e demais companheiros do PT, meu presidente Monteiro, honrando esta solenidade - vive, ainda que não em plenitude, um momento novo, ou um momento diferente. Os preconceitos têm sido quebrados. Vivemos as emoções de testemunharmos as vitórias de o operário chegar à Presidência da República e, mais recentemente, as alegrias maiores de testemunharmos a vitória da primeira Presidenta deste País - que coisa fantástica! Um momento tão cheio de violência em que nós sabemos e sentimos o quanto de violência ainda existe, fruto dos preconceitos e discriminações quanto à mulher, sobretudo nos espaços de tomada de decisões, principalmente as políticas. Somos, ainda, um País, um Estado e um Município que vivem o sobressalto da violência da fome – a fome é uma violência que gera violência e que gera a maior brutalidade possível - do desemprego, da discriminação e de toda sorte de injustiça decorrente da desigualdade social.

E me permitam um pouco de reflexão. Mais um pouco só.

Eu acho que o vereador Chico Viana vai concordar. As ciências humanas deveriam ter descoberto o sentido da história e as outras ciências a aplicabilidade de suas descobertas ao cotidiano de todos. Quantos, talvez, não estariam vivendo bem se a moderna tecnologia estivesse ao alcance da camada popular, nos hospitais públicos, assim como os que dispõem de bons planos de saúde. Que a modernidade pudesse atingir todos os espaços, sobretudo os espaços de saúde. Eu sei, deputado Arnaldo, doutor Arnaldo, que Vossa Excelência sonha com isso. Eu sei.

Em dezembro de 2000, eu me propunha a perguntar: Será que o mundo melhorou? Em fevereiro de 2011, ouso dizer que muita coisa está mudando, Mas sentimos e vemos que há, ainda, muitas disparidades, contradições que transparecem na má distribuição de renda, no preconceito racial, na discriminação de gênero, na banalização da violência e da corrupção, no desenvolvimento que não é voltado para o bem de todos porque destrói, desenvolvimento que agride, Irmã Anne Caroline, e polui o meio ambiente, provocando o crescimento do índice de doenças, dentre elas, o câncer, de forma assustadora.

Li, vereador Chico Viana, o seu artigo, há menos de 15 dias, chamando a atenção, não apenas dos que leem o Jornal Pequeno, mas chamando a atenção do mundo para o nexo que há entre poluição, entre a destruição do meio ambiente e o crescimento do índice de pessoas acometidas de câncer, inclusive e sobretudo, em nossa São Luís do Maranhão. Vamos ter coragem de enfrentar, politicamente, esta realidade e não com indiferença.

Mas eu desejo para hoje, para agora, para os que vierem após mim, um mundo melhor,da verdadeira solidariedade fraterna e não aquela prática – que, às vezes, somos todos tentados - eu ajudo para evitar que eu seja engolido ou engolida pela violência . Muitos discutem a questão do menino na rua, não pela ótica dos direitos aviltados da criança e do adolescente, mas para se proteger deles e não pelos direitos que aqueles meninos e aquelas meninas têm. Muitos praticam apenas a justiça do juiz iníquo, do relato evangélico, não para proclamar o direito, mas, simplesmente, para se ver livre da viúva que bate à porta de seu gabinete todos os dias. Isto vale, Vereadores e Deputados, isto vale para os que julgam institucionalmente, mas para os que detêm mandato, também. Aliás, a nossa vida, o nosso dia a dia é de um permanente julgamento. A todo tempo, nós estamos julgando, em todos os espaços, inclusive em casa.

Mas eu reconheço que há muita gente que faz pulsar, dentro de seus princípios, de seu coração, uma esperança muito forte. Eu acredito nesta esperança, esperança de um mundo diferente, que justifique a luta e a vontade de viver de tantos, neste País, no Maranhão e em São Luís, inclusive aqueles que lutaram e outros que ainda lutam, anonimamente. Eu homenageio, aqui, os anônimos que não perderam a esperança e continuam lutando, lutando, para a construção desse mundo e dessa sociedade diferentes.

E isso só será possível se estivermos sedentos e impregnados do mais puro sentimento de Justiça, para transformar essa sociedade e construirmos um mundo digno de nossa existência. E, nessa construção - senhores, senhoras, amigos - todos poderão se envolver, não precisa ter mandato, não precisa ter mandato, desde que compreendam que todo poder somente será bem exercido se numa dimensão de serviço. Se não for nessa dimensão de serviço, será um exercício de poder, no mínimo, apenas capenga. Fora disso, é prepotência, tirania, ambição...

Mas, vereadora Rose, hoje é dia de homenagem, apenas. A rigor, talvez, nem comportassem essas considerações. Mas não fazem mal, mal nenhum. Afinal de contas, estamos num espaço político – eu tenho certeza de que eu não fugi da concepção de que, aqui, é um espaço político. Estamos num espaço de reflexão e debate, que deve ser isso a todo o tempo.

Quando eu estive aqui, foram 4 anos – que coisa bonita o tempo! Eu gosto de ver o tempo, de rever o tempo, de analisar o tempo. Nesses 4 anos, foi este o sentimento que tive ao escolher, durante 3 anos, os 9 nomes a que tive direito de propor para receberem a MEDALHA DO MÉRITO LEGISLATIVO MUNICIPAL SIMÃO ESTÁCIO DA SILVEIRA.

Fui buscar, no meio dos artistas, na cultura popular e nas letras, os meus homenageados de 1998. No ano seguinte, busquei cientistas do campo da saúde e do jurídico, mas fui buscar, também, na luta do trabalhador rural a quem conceder a Medalha Simão Estácio da Silveira.

No último ano, finalizando minha experiência na esfera parlamentar municipal, eu pedi à Câmara uma homenagem à professora do primeiro Jardim de Infância do Município de São Luís, o Luís Serra, ali à Rua da Saúde, já tão bem colocado pela vereadora Rose Sales: era poetisa, advogada, mestra de gerações, escritora, que, um dia, me mostrou - e já vai para mais de 60 anos, Silvandira, é um prazer tê-la aqui! – mostrou-me os primeiros caminhos do saber convencional, nesta cidade. Eu falo de Dagmar Desterro e Silva.

Eu procurei, também, na tenaz persistência dos Gracos, a pessoa do jornalista José Nascimento de Moraes Filho, sempre pronto e disposto a levantar sua voz para denunciar as situações de injustiça e de desrespeito, sobretudo ao meio ambiente, contra todos os poderosos. Era o sempre Clamor da Hora Presente, uma de suas obras, Clamor da Hora Presente. Os dois já estão noutra dimensão. Nascimento de Moraes não quis ou não pôde, ou estava doente, alguma coisa... Não chegou a receber a medalha. Sugiro à Casa que, em memória, um dia, seja passado aos seus familiares o significado da Medalha Simão Estácio da Silveira àquele grande maranhense, por tudo, sobretudo pela capacidade de se indignar e de se indignar mesmo.

Indiquei, também, César Teixeira para aquela solenidade em que eu encerrava o mandato. Poeta engajado, o compositor/cantor que faz a melhor política, cantando e, aí, assinalo e destaco: com as bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar... esta é a nova oração, oração de vida. César Teixeira também não foi receber, está pendente. A Casa precisa proclamar que César Teixeira recebeu, por unanimidade daquela Legislatura, a Medalha Simão Estácio da Silveira.

Vereadora Rose, senhoras e senhores, convidados aqui presentes, imprensa, funcionários, vereadores que compõem esta Legislatura, eu quero concluir. Vou concluir. Já é tarde, mas não tarde demais para que eu não possa renovar meus agradecimentos à Câmara de Vereadores de São Luís por este título de Cidadã Ludovicense. Agora, sou de direito, oficialmente, o que já era no meu dia a dia, no meu cotidiano. Agora, sou ludovicense, sem deixar de lado minhas raízes profundamente sentimentais de ser baronense. Agora, sou ludovicense como são meus filhos, meus netos, como Heluy e como milhares e milhares de amigas e amigos, de companheiros e companheiras de tantas caminhadas e irmãos e irmãs na fé e na esperança, tantos e tantas.

Eu os conheci. E a todo tempo e a todo o momento vão crescendo, vão chegando mais e eu conservo essas amizades. Eu gosto de conservá-las. Amizades, para mim, são verdadeiras jóias, não importa o Partido, não importa em quem votou nem como votou, são amigos. E tenho sempre presente a “correção fraterna”, lá de Mateus, a “correção fraterna”. Às vezes, esteja faltando, na classe política, a “correção fraterna” – rompe-se de pronto, rompe-se de pronto. “Cadê” aquela caminhada, aquele trabalho quase que artesanal de conciliar o companheiro com o amigo ou o amigo com o companheiro e construir esta sociedade diferente?

É assim, Rose, que eu recebo esta homenagem, é assim, Pereirinha, Sebastião Albuquerque, com quem convivemos, naquela Legislatura. Chegamos juntos. Aqui, já encontramos outros, encontramos José Joaquim, Benedito Pires – gostaria de tê-lo aqui, hoje. Benedito Pires, totalmente diferente de mim, nas suas convicções, mas uma pessoa a quem eu tenho o maior respeito, um grande respeito, totalmente diferente. E um respeito recíproco, isto é extraordinário.

Cheguei, aqui, Rose, você ... - eu não vou dizer “você”, não, é Vossa Excelência, na plenitude do termo - Como já foi dito, Rose, na sua fala, cheguei aos 5 anos. Naquele tempo, era interessante, deputado Arnaldo, nós passávamos um semestre aqui e outro no interior porque não compensava, Deputado, ficar o tempo todo aqui porque o que ganhava não dava para se manter. Quando a Assembleia era convocada, vinha-se, e havia, mais ou menos, uma forma: no 2º semestre, estávamos aqui, no 1º, em Barão, exceto em 47, com aquela grande tarefa de escrever a Constituição de 47. O que significava isso, os constituintes de 47? Só uma mulher: a constituinte Dalva Bacelar. Eu a reverencio porque, no meio de tantas pessoas, uma presença da mulher, nessa tenacidade de poder participar das tomadas de decisão sobre a gente, dentro da sociedade.

Cheguei acompanhada de meu pai, minha mãe, Ainha, a quem, também, reverencio, que me acompanhou sempre. Silvandira e muitos outros sabem o que ela representou em minha vida, o que é ser “babá” de uma filha única de um casal. Quando se casaram, minha mãe tinha 33 anos e meu pai, 42 e convergiram toda sua vida para que Helena fosse esta cidadã.

Quando eu falo isto, eu reverencio não apenas minha família, mas todas as famílias que ainda entendem a sociedade também dela fazendo parte a família, com os sentimentos, a disciplina, com a educação – disciplina mesmo. Consegui ser uma filha única disciplinada. Estou sempre invocando a Silvandira porque ela se lembra de mim desde quando eu pagava uma promessa porque nasci direitinha. Passei 6 meses vestindo a roupa de Menino Deus.

Mas o que é isso? É o tempo diferente. Naquele tempo, as mães se preocupavam com os filhos que iam nascer e não tinham as máquinas para prever o que podia ser e até tratá-los. Então, tinham que enfrentar o desconhecido mesmo, com muita fé e esperança. E não faz mal uma promessa, vez por outra.

Comecei a conhecer São Luís, efetivamente, da Rua da Saúde. Ali, havia os pregões matinais – não é só em Lisboa que havia pregões matinais –São Luís os tinha. E aquilo foi fazendo parte de minha vida. O apito das fábricas. Existiam fábricas que apitavam e acordavam a gente de São Luís. Tive o privilégio de ver esta cidade crescer, mudar e hoje ... – nós temos que parar, eu tenho esta mania – hoje, faz 41 anos que foi inaugurada a Ponte de São Francisco. Mudou, alterou, profundamente, toda a nossa história, a história de São Luís. E não podemos passar indiferentes ao que isto significa.

São Luís, que era o Centro, era o Caminho Grande, que passava do Anil, seu bairro, vereadora Rose, e subia para o Aeroporto. Era este espigão e alguns bairros que iam se formando, aos seus lados, aos poucos, sem muita violência ou, talvez, até sem violência. Totalmente diferente do que significa esta explosão de um desenvolvimento que não se interessa pelo bem do homem e da mulher das cidades que crescem.

E, aqui, nós chamamos muito a atenção, vereador Pereirinha, que ainda é tempo, ainda não é tarde demais para que se pense que desenvolvimento é que nós desejamos para São Luís e para o Maranhão.

Estamos às vésperas ... – e, até nisso, eu me emociono e me sinto importante – esta solenidade, este momento, às vésperas das comemorações dos 400 anos desta cidade. É a história, também. E eu que ainda me lembro dos 350 anos, doutora Beatriz, solenemente comemorados, aqui, em 62, e que o Movimento Bandeirante teve uma tarefa extraordinária com o Movimento Escoteiro – o José Joaquim se lembra disso – de acompanhar tudo, de estudar tudo, de conhecer até a Fonte do Ribeirão e a Fonte das Pedras, por dentro, penetrando nelas, para conhecer, realmente, ou para procurar se, realmente, existia a serpente, ou não, lá dentro.

Mas o que era isso? - Para que pudéssemos entender, conhecer mais as COUSAS DO MARANHÃO com que Simão Estácio da Silveira já se preocupava e se empolgava.

Esta terra é muito bonita e é muito importante: terra de escritores, de poetas, de tantos ... Até Apolônia Pinto nasceu em São Luís do Maranhão, Teatro Artur Azevedo. São glórias, mas glórias mesmo, permanentes, que não sejam apenas “glórias do passado”.

Nos 400 anos de São Luís, nós temos, por obrigação - e eu não estou dando conselhos, não - mas estou sugerindo à Câmara de Vereadores de São Luís que ela tem que assumir com outras instituições, com a Igreja Católica e outras Igrejas, também, o que significam os 400 anos desta cidade, cidade de artistas das mais diversas categorias, e fazer com que, hoje, não só entre a juventude, mas por parte de todos nós, haja um sentimento de pertença desta cidade pelo que ela é e pelo que poderá continuar sendo ou vir a ser, mais e mais.

São Luís, com toda sua grandeza e pujança, com seus prédios, com suas relíquias, prédios que me fazem lembrar, constantemente, de quem construiu esse casario belíssimo, que faz de São Luís uma cidade Patrimônio da Humanidade. Os construtores dessas casas, dos sobradões ... Quantas lágrimas, quanto sangue, quantos açoites. E São Luís está aí. Nós não podemos perder isso. Eu sofro, vereador Pereirinha, sofro, sofro, efetivamente, por cada sobrado tombado – tombado, não pelo Patrimônio Histórico - mas no chão, caído. O que é isto, o que nos falta, o que é que está faltando?

Eu quero, aqui, nesta solenidade, em conclusão, dizer a todos os senhores que eu me uno a tudo quanto possa se dizer que esta terra não pode acabar, não pode morrer. E esta terra é tudo isso: são as frutas cantadas por João do Vale quando fala de São Luís; são os poemas de Bandeira Tribuzzi, é a “Louvação a São Luís” que nos apresenta, em plenitude, o que é isto; são os tambores da Casa das Minas, da Cândido Ribeiro e da Rua de São Pantaleão. Até nisso eu fui privilegiada. Minha adolescência, vivida no Beco das Minas: dormia e acordava, muitas vezes, com os tambores da Casa das Minas.

Então é por tudo isso, Rose, que eu me sinto feliz com este título. Sinto-me feliz por ser considerada, oficialmente, ludovicense e me sinto feliz porque, um dia, constituí família, aqui, também, na velha Rua Grande, 10 anos, ali, na Rua Grande, vivendo e compreendendo o que era o significado da Rua Grande - como, para José Joaquim, deve ser o significado da Rua do Sol – a Paróquia de São João Batista, a Paróquia de São Pantaleão.

Em resumo, eu sou uma pessoa, permanentemente, impregnada do ser ludovicense. Muito obrigada, obrigada por tudo, por este carinho, por esta solenidade.



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Helena Barros Heluy